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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Carta aos Calouros

Parabéns. Vocês, alguns dezenas de milhares, conseguiram por seu trabalho e direito entrar num lugar que vai transformá-los em cidadãos, se vocês realmente desejarem por isso. Mas não digo cidadão de ser obrigado de sair de casa a cada quatro anos;nem de reclamar da operadora que seu celular não tem os torpedos da promoção;muito menos de possuir um monte de papéis verdes plastificados.99,9% dos maiores idiotas possuem tudo isso.

Vocês são diferentes porque essas coisas não bastam para o que vocês querem. Vocês não desejam ser simplesmente audiência,platéia,massa.Não precisam mais de heróis.Os heróis precisam de vocês.Tem gente que acha esse fato triste.Dizem que estamos perdendo algo que nossos pais guardaram com muito carinho para nós.Eu não sei o que é esse algo,mas se tiver sido um perecível,já deve ter apodrecido,e eles ficaram com vergonha de nos dar.

Mas, se a idéia era boa, não há mal nisso; o que vale é a intenção. Vocês,os novos,estão saindo,em grande parte,de dois tipos de lugares;Ou de escolas pagas aonde seu boné valia mais do que sua idéias,ou de públicas aonde não se tinha idéia de onde achar o professor.Muitos de vocês estarão vendo,pela primeira vez,numa cidade de quase 5 milhões de indivíduos(contando os municípios vizinhos e as invasões não registradas),a primeira escola de verdade em suas vidas.
O que isso significa?Nada. Se você passa pela porta de um lugar desses,e sai para conseguir um MBA internacional antes dos 20 anos,nada garante que se torne uma pessoa de verdade.Poderá,isso sim,se tornar um idiota consciente,dos quais já produzimos milhares todos os anos.

O que ganhamos com a existência deles é a manutenção do eterno ciclo de mesas redondas aonde se trocam acusações, contra-acusações, e se preparam dossiês e abaixo-assinados, que nunca tratam dos problemas urgentes das pessoas. O momento da entrada de sua entrada,é critico tanto para vocês como para o lugar aonde estão sendo recebidos.Muitos de vocês vão cair:vários vão voltar a levantar,e talvez,cair de novo.
Daqueles que conseguirem passar, tanto na primeira como na segunda tentativas,o que interessa é que muito poucos vão poder dizer que conseguiram tudo por si mesmos. Aqui,vocês conhecerão seus maiores amigos,e se por acaso houver alguém que não gostem,aprenderão a respeitá-los naquilo que forem bons.

Claro, que como em qualquer lugar, nem todos são inocentes: podem acabar lhes oferecendo a chance de redimir alguma coisa. Pode ser uma raça oprimida, talvez um país, os trabalhadores do mundo, as almas do outro mundo, ou, mesmo, para começar o vício, uma falha pessoal. Se isso acontecer, sejam espertos, recusem. A burrice deles não é culpa nem problema de vocês. Vocês precisam de leis,não justificativas.Isso diferenciava os países livres dos países escravos.E diferenciará vocês do passado que não acabava.


Nicolas Oliver, 5811

sexta-feira, 26 de março de 2010

Escolha e Decida

Ou escolhemos o que queremos, ou não queremos o que escolhemos (Djalma Andrade).



Dentro do que pretendo escrever, tenho como ponto de partida a imperiosa afirmação do filósofo Jean Paul Sartre: “o ser humano está condenado a ser livre”.
Possuidor de um brilhante intelecto, que lhe permitia transitar com certa facilidade nas questões humanas, Sartre entendeu que somos livres para agir, escolher e decidir o que queremos para nossa vida. Assim, no pensar do filósofo, ninguém pode se responsabilizar pelos erros ou acertos de uma pessoa senão ela mesma.


Para muitos, lidar com tal realidade é no mínimo angustiante. E então, buscando fugir de tudo isso, permite que segundos estejam sempre escolhendo e decidindo por si; para que assim, caso venha fracassar em seus anseios, tenha a quem responsabilizar. Quando a ninguém encontra, cria um personagem e nele se justifica: não deu certo porque Deus assim não o quis. Como somos frágeis! Para Sartre, fugas tais como estas constituem o princípio da má fé.

Posto isso, direciono o teor deste texto a um público que considero estar transitando numa fase delicada da vida, a saber, a juventude. A delicadeza de tal fase se constitui no fato de que o jovem de hoje será o adulto de amanhã. Saber que as realizações vindouras, bem como profissionais, passam pelo crivo das escolhas do hoje, é um tanto preocupante e, em casos outros, conflitante.

Devido à pouca idade, o jovem não está preparado psicologicamente para lidar com questões complexas tais como estas. Assim, a presença da família na vida dele é de caráter indispensável. O auxilio de alguém experiente torna o jovem seguro na hora de escolher essa ou aquela “profissão”. Todavia, à família cabe todo um cuidado especial, visto auxiliar não ser o mesmo que influenciar ou decidir.

É comum, munindo-se de argumentos tais como: quero o melhor para meu filho, os pais exercerem influencias que determinam as escolhas do mesmo. Para tanto, resta-nos perguntar: em que consiste esse melhor? Ninguém, até mesmo a mãe, não sabe o que é melhor para o futuro de seu filho, senão ele mesmo.

O que acontece é o seguinte: quando uma mãe, por exemplo, decide sobre a vida de seu filho, afirmando querer o melhor para o futuro dele, na verdade, inconscientemente, ela não fala do melhor para ele, mas do melhor para si e, por conseguinte, para seu ego.

Esse melhor consiste em dizer para a sociedade o meu filho (a) escolheu essa profissão e não aquela. Por favor, não sejamos insensatos (pra não dizer hipócritas), a ponto de não querermos perceber o quão é prazeroso para os pais “escancarar” para uma sociedade altamente seleta que seu filho (a) cursa medicina ou curso outro refinado pela hipocrisia social.

Os pais que de verdade são ávidos do melhor para o amanhã dos filhos (as), são aqueles que buscam auxilia-los, mas se esquivando de qualquer ordem de influência nas decisões deles.

Que as escolhas deles sejam de conformidade com as inclinações que lhes são peculiares (vocação). Fazer o que gosta é o ponto de partida no qual o nos realizamos como pessoas, apaixonando-nos pela vida; e isso é o melhor. É o melhor porque as pessoas que assim não vivem se tornam “amargas”... agridem a si e ao outro.

Para quem insiste em escolher e decidir pelo futuro de seus filhos (as) ou de segundos, volto a Sartre e deixo o que segue: na liberdade que lhe é inerente, ninguém busca a quem queira decidir por si, antes busca a quem possa responsabilizar pelos eventuais fracassos do amanhã... busca alguém que futuramente possa compartilhar de possíveis frustrações.







Djalma Andrade,do Setor Multidisciplinar